Realizada na última quinta-feira (27), a audiência pública de prestação de contas da Secretaria Municipal de Saúde, foi marcada por quatros horas de debates intensos e manifestações que ampliaram o debate político no município. Sediada na Câmara Municipal de Fazenda Rio Grande, a sessão teve seu inicio adiado devido problemas técnicos envolvendo a internet do local, contudo seguiu com seu planejamento se prolongando até as 14h.
Durante a sessão, o vereador Caio Szadkoski destacou que o momento representou uma oportunidade de troca entre Executivo, Legislativo e comunidade, afirmando que o objetivo não foi antecipar julgamentos, mas buscar esclarecimentos sobre a aplicação de recursos públicos. Ele mencionou a necessidade de aprofundar a análise de contratos, especialmente quanto à relação entre custos, legalidade e transparência, e defendeu maior fiscalização por parte dos órgãos competentes.
“Quem é culpado tem que pagar, quem é inocente tem que ser inocentado. Agora não se pode esconder mais nada, sabe? Nós vimos hoje mais uma denúncia do hospital. Tem um médico que falou aqui, né?. Então é muito grave a situação de saúde da Fazenda Rio Grande. Nós precisamos conversar com os vereadores, conversar com todas as pessoas que possam nos ajudar pra esclarecer os fatos. Não queremos aqui julgar ninguém, mas esclarecer os fatos do que estiver errado, porque muita gente padece, muita gente morre.”, declarou o vereador em entrevista a TV Fazenda
Um dos momentos de maior repercussão ocorreu com a manifestação do professor de história, farmacêutico e auditor ambiental Carlos Zanchi. Ele defendeu a reprovação das contas do terceiro quadrimestre de 2025 e citou pagamentos aproximados de R$ 600 mil à empresa AGP Saúde, mencionada na Operação Fake Care, do Ministério Público do Paraná, que apura suspeitas de irregularidades contratuais e possível desvio de recursos na saúde municipal. Zanchi também levantou questionamentos sobre exames e registros vinculados a atendimentos.
O médico Fernando Legnani, ex-coordenador de auditoria do Hospital e Maternidade Nossa Senhora Aparecida, também utilizou a tribuna para apresentar apontamentos sobre o contrato estimado em cerca de R$ 2,7 milhões mensais com a unidade hospitalar. Ele citou fragilidades como ausência de metas claras e questionamentos sobre faturamento de procedimentos, informando que os documentos foram encaminhados a órgãos de controle.
Em resposta aos questionamentos, a Secretaria Municipal de Saúde afirmou que não houve omissão de informações e que todos os dados solicitados foram encaminhados ao Ministério Público, Tribunal de Contas e demais instâncias competentes. A pasta informou ainda que mantém colaboração com investigações e que contratos passam por revisão para inclusão de indicadores de qualidade e quantidade, além de reforçar que documentos estão disponíveis nos canais oficiais de transparência.
Após as declarações, a Câmara Municipal divulgou nota pública classificando parte das manifestações como ofensivas à secretária municipal de Saúde, Monique Costa Budk, e anunciando possibilidade de apuração administrativa. O posicionamento institucional gerou novas críticas e ampliou o debate. Até o momento, não houve deliberação formal sobre a aprovação ou reprovação das contas. A TV Fazenda informou que segue acompanhando os desdobramentos do caso.